terça-feira, 3 de abril de 2012

AS PEGACHAS E AS MONDAS


MAIS UM PEDAÇO DA NOSSA HISTÓRIA.

Na pesquisa de mais "pedaços" da história da Aldeia das Casas Baixas e dos seus habitantes, OS Pegachos(as), encontrei na página da net, que conta a historia da freguesia da Povoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira), mais um "miguelho" histórico, que refere que eram as Pegachas "... quem engrossa a fiadas de ru­rais que se perfilam na Borda-d'água, em tarefas menos árduas que as dos longínquos assalariados do campo.."
É um pedaço da história das "Mondas", em que as mulheres e homens do Pego, calcorrearam esse Pais fora, deixando sempre a sua marca por onde passavam. Pois os Pegachos e as Pegachas, alegres por natureza, tudo lhes servia para um bailarico!

O texto que se segue é um excerto de um artigo publicado na página "aragemobrigatoria.com", sobre a historia da Povoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira), e onde poderá ler mais sobre esta freguesia.

A MONDA (foto de "ribeirademuge.blogspot.pt")


"CARAMELES E PÉGACHAS"

"Provinham os, Caramelos ou Carmelos do Baixo Mondego e igual­mente encorpavam multidões de camponeses que, em certas épocas, se deslocavam para a região tejana ou sadina, de economia parelha à sua, e de iguais planos pantanosos.
No tempo actual, são as Pegachas, mulheres que vêm do Pego. Na zona abrantina, e alguns Avieiros, quem engrossa a fiadas de ru­rais que se perfilam na Borda-d'água, em tarefas menos árduas que as dos longínquos assalariados do campo.
Dentre muitos outros, aqui se evocam especialmente os desapareci­dos semeador. Mondadeira de arroz, ceifeiro, valador. Deles, desfigurado embora, persiste somente o maioral.
Semear a lanço. Eis um gesto humano, com o papel divino da multi­dão dos pães.
Saias puxadas acima, em talhe calças, e seguras com cinta, ca­nos nos pernas, descalças, manguitos nos braços e grandes chapéus de palha na cabeça, por sobre o lenço  soqueixado, afundavam-se as mulheres no lodaçal do canteiro, arrancando e replantando arroz, mondando-o, ceifando-o, depois, de terem esboroado os cambalhões da terra e moldado. os muros.     
Formigavam-lhes as pernas, gretavam-lhes as mãos, ferroadas umas e outras pelos insectos e aracnídeos raivosos ou pelas ervas mais espinhosas.         
O protocolo da arte de ceifar quaIquer seara  ensina-o Redol no seguinte texto:    
"Agarra uns tantos pés de trigo com a mão esquerda, fá-los pender para ti,  a .foice não muito, agora move a foice com gana sem dar pancada, assim mesmo, e não te importes que o pulso se abra e o braço todo pareça uma linha de dor que te vá arrancar o ombro, porque, entretanto, quase sem tu saberes como, já está uma paveia ao teu lado, e outra e outra - toda a resteva estará juncada de paveias que tu e os teus camaradas ceifaram."
Valadores enroupados nas suas capas e grevas de pano oleado, com a pá afeiçoada a fender a lama e a sustentá-la até ser atirada para cima do vaIado. Os valadores eram sempre homens da terra, porque aquela tarefa não era para qualquer um. Em tempos, existiu na Castanheira uma industria artesanal de pás de vaIar.
Os valadores da Lezíria haviam antigamente usado de privilégios especiais, por terem uma acção fulcral na protecção de pessoas e bens contra as inundações."

(in: http://paragemobrigatoria.com/ficheiros/tejo.htm - A historia da Povoa de Santa Iria)
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