quarta-feira, 26 de outubro de 2016

COMO AJUDAR O SEU FILHO DISLÉXICO A OBTER SUCESSO NA ESCOLA (actualização)

COMO AJUDAR O SEU FILHO DISLÉXICO A OBTER SUCESSO NA ESCOLA (actualização)

(Imagem: Portal da Dislexia)


"PEQUENOS PASSOS… PARA OBTER BONS 

RESULTADOS!"

Já passaram cerca de 8 anos desde que foi diagnosticado que a minha filha, agora com 15 anos de idade, tem DISLEXIA. A verdade é que os primeiros tempos foram angustiantes face ao desconhecimento total do que era a DISLEXIA.


Desde o primeiro momento, temos vindo a pesquisar tudo o que se possa aprender e compreender sobre a DISLEXIA. A Internet tem sido uma ferramenta fundamental para atingir este objectivo, mas também temos recorrido à leitura de alguns livros, como o livro “O Dom da Dislexia” de Ronald D. Davis, bem como a ajuda de profissionais especializadas.

Ao fim destes 8 anos a Dislexia já não é uma desconhecida, nem agonia o nosso seio familiar. Este esforço de compreensão da dislexia e a aplicação de alguns métodos, traduz-se no aproveitamento escolar da nossa filha, que chegou ao seu 3º ano de vida escolar quase sem saber ler e escrever, para estar agora a iniciar o 10º Ano de escolaridade com aproveitamento escolar, superando deste modo, toda as nossas melhores expectativas.

Deste modo partilho aqui alguns métodos de abordagem, para contornar as dificuldades na aprendizagem, por nós aplicados, para ultrapassar o problema da DISLEXIA.


O que é a dislexia?

"A dislexia é uma dificuldade especifica e durável da aprendizagem da leitura e da escrita, em que não houve a aquisição do seu automatismo, e experimentada por crianças normalmente inteligentes, normalmente escolarizadas e indemnes de perturbações sensoriais."
(Debrey - Ritzen e Mélékian)



A intuição e o Pensamento Multidimensional !

Na dislexia duas pessoas nunca apresentam as mesmas dificuldades. A dislexia é como um dom que vai evoluindo com a pessoa, e essa evolução tem de ser criada e trabalhada pelo disléxico. Com o passar do tempo muda e com muita frequência não se desenvolve totalmente até o disléxico ter deixado a escola.

Para se perceber melhor, o processo de pensamento do disléxico é um modo não-verbal de pensar em imagens, que ocorre, segundo alguns estudos, à velocidade de trinta e duas imagens por segundo (imagens individuais conceptualizadas), enquanto um não disléxico, um pensador verbal, pode ter entre dois a cinco pensamentos (palavras individuais conceptualizadas). Matematicamente isto dá como resultado que o disléxico tem um número de pensamentos de seis a dez vezes maior.

O único inconveniente de pensar em imagens é que a pessoa disléxica não está consciente das imagens individuais enquanto elas vão ocorrendo, por que tudo acontece muito depressa. O nosso cérebro precisa de um tempo necessário para que algo seja registado na consciência do individuo (Cognição). Um disléxico ao pensar à velocidade de trinta e duas imagens por segundo, cai na categoria chamada “subliminar”. Se um estimulo não estiver pelo menos presente cerca de trinta e seis imagens por segundo nós não conseguimos capta-lo, porque passa demasiado depressa para que o nosso cérebro possa capta-lo.

Deste modo o disléxico consegue por vezes saber a resposta a um problema, como que por intuição, mas não consegue ter total consciência de como chegou a essa resposta. É um processo que é chamado “Devaneio”.

Muitas vezes, pais e professores são muito críticos com este processo; Devaneio; no fundo porque eles próprios não o conseguem compreender. No entanto deviam encoraja-lo.

Albert Einstein, também ele disléxico, publicou no princípio do século vinte, a Teoria Geral da Relatividade, teoria esta que surgiu-lhe durante um “devaneio”, no qual segundo o mesmo, ele viajava ao lado de um feixe de luz. Para Einstein o conceito era simples, para uma pessoa comum era quase incompreensível, o levou e ainda leva, à elaboração de uma enorme quantidade de livros que tentam explicá-la.

Também Leonardo da Vinci, concebeu um submarino trezentos anos antes da invenção da bomba de água moderna; teve a visão de um helicóptero, quatrocentos anos antes de existir um motor que o pudesse fazer voar.

A desorientação acrescenta dimensão ao processo do pensamento. O pensamento torna-se assim multidimensional e utiliza todos os sentidos.

Quando ocorre a desorientação o cérebro deixa de ver aquilo que os olhos estão a ver, os ouvidos o que estão a ouvir, para ver e ouvir aquilo que a pessoa está a pensar. Ou seja um dos aspetos do pensamento multidimensional é a capacidade do pensador viver os pensamentos como a realidade.

Se “a necessidade é a mãe da criatividade”, então o pensamento multidimensional deve ser o seu pai. Este conceito ajuda-nos a entender como é que Albert Einstein chegou a elaboradas teorias, que ainda hoje não são compreendidas por muitos, bem como Leonardo da Vinci, a complexas maquinas que só muitos anos depois é que puderam ser, tecnologicamente construídas.

(in: O dom da dislexia / Ronald D. Davis)



O Papel dos Pais

O papel activo dos Pais é essencial para que o seu filho disléxico consiga ter sucesso no seu percurso escolar.

Só com o empenho total dos Pais é que este processo terá o seu êxito.

“Ninguém conhece melhor o seu filho como os seus pais”. É a partir deste princípio que se irá dar início ao processo na ajuda do seu filho disléxico.

Os pais devem fazer um acompanhamento contínuo do percurso escolar do seu filho, não apenas no final de cada período lectivo, mas sim durante todo o ano escolar.

No início do ano lectivo contacte com o Diretor de Turma e/ou o professor de ensino especial, partilhe com eles todo o historial do seu filho, as suas dificuldades, os seus gostos, a sua atitude em relação á escola e sobretudo mostre ao professor o seu forte empenho, para que o seu filho tenha um bom aproveitamento escolar. Deste modo irá mostrar aos professores que quer e que está a participar. Se possível deixe o seu contacto (Ex: Email, telefone) e reafirme a sua total disponibilidade no acompanhamento na educação do seu filho.

Na relação com o seu filho não faça da DISLEXIA um tema “Tabu”! Partilhe o seu conhecimento com o seu filho, faça-o sentir e compreender que apesar da Dislexia ser um problema de inicio, poderá ser com o tempo, um talento único, um dom que, uma vez dominado, permite atingir extraordinários patamares de realização académica e profissional.

Sérgio Vicente / Toziblog
O Papel dos Professores

O papel do professor na evolução positiva do seu filho disléxico é essencial. O professor deverá saber acompanhar e compreender as dificuldades do aluno disléxico, para que deste modo possa adaptar melhor a matéria escolar às características deste aluno.

É neste ponto que a interação entre pais, professores e o aluno(a) é essencial. A partilha de conhecimentos entre ambos, vai acelerar este processo, melhorando deste modo todo o processo de aprendizagem.

Terá que ter em consideração que o professor não terá apenas o seu filho com dificuldades de aprendizagem. Haverá outros alunos com várias necessidades de aprendizagem especiais.

O diálogo continuo e compreensão entre o professor, pais e aluno é deste modo, extremamente necessário. 



Sérgio Vicente / Toziblog
Apoio na organização do estudo

Ensinar do aluno disléxico uma metodologia/disciplina de ensino é um dos pontos de partida para o seu sucesso.

Não adote pelo facilitismo. Não imponha muitas regras rígidas de métodos de estudo. Este método deverá ser encontrado através do diálogo com o aluno(a).

Deverá ser ele(a) a apontar quais as suas reais dificuldades nas matérias didacticas, dando-lhe ênfase a estratégias activas que permitirão à gestão das suas próprias dificuldades, tornando-o mais consciente nas áreas onde residem as suas dificuldades conseguindo deste modo  desenvolver capacidades de autocorreção.

A partir deste ponto será mais fácil encontrar uma metodologia de estudo que irá contribuir, não só para que ele(a) mantenha interesse pela escola, como também será mais fácil pais e professores encontrarem soluções para colmatar estas dificuldades.

Em casa poderá usar a internet. Existem muitos “sites” de professores (entre outros) que ensinam e ajudam nas matérias curriculares dadas. Este ao identificar quais as suas dificuldades levará a que possa encontrar nestes “sites” melhores metodologias para que lhe possa explicar e colmatar essas dificuldades, de um modo que ele as melhor compreenda.

Deste modo dará alguma segurança e empenho ao seu filho no alcance do seu sucesso escolar. 


Apoio Especializado

Na escola na maioria dos casos, o aluno(a) disléxico beneficiará do apoio de um professor de Educação especial. Fora do ambiente escolar, existem também profissionais especializados (Ex. Terapeuta da Fala, psicólogos.) nos problemas decorrentes da dislexia que poderão dar uma boa ajuda na evolução da criança, no entanto, devido aos custos financeiros que estes possam comportar, terá que avaliar a disponibilidade financeira da família para o efeito. 

Autonomia

A criança/jovem deverá ser incentivada a cultivar a sua autonomia.
Deverá dar-lhe oportunidade de espaço para que esta crie essa autonomia nos diversos aspetos do seu crescimento.

Para uma criança/jovem com dislexia, que devido ao seu problema por vezes cultiva uma baixa autoestima, esta conquista de autonomia gradual irá, com o passar do tempo, combater esta mesma baixa autoestima.

Os pais tem que ter, sobretudo, confiança nos seus filhos e acreditar que eles são capazes, dando-lhes oportunidades para crescerem e tornarem-se o mais independentes possíveis.

Lembre-se que uma sobre proteção destas crianças ( e de todas as outras), frequentemente cria pessoas inseguras e muito dependentes. quando sobre protegemos uma criança estamos a torná-la mais vulnerável.

Controlo do Nível emocional

Deverá ter em conta que um(a) aluno(a) disléxico, para conseguir um bom desempenho escolar terá que ser bastante disciplinada no estudo. Esta “autodisciplina”  e esforço adicional levará a que esteja sempre exposta a uma maior pressão para atingir os seus objetivos. 

E uma maior pressão originará um maior “stress” emocional, o que levará a mostrar-se por vezes mais agressiva e/ou angustiada.

Deste modo cabe aos pais e professores estarem atentos a esses “picos de stress emocional”, e através do dialogo com a criança e/ou a prática de outras atividades extracurriculares (Ex: natação), possam ajudar a ultrapassar estes estados emocionais, que caso não sejam colmatados/acompanhados iram influenciar negativamente o desempenho escolar da criança.



Atitude positiva

Tenha uma sempre uma atitude para com o seu filho.

Elogie sempre os seus sucessos.

Nos insucessos converse com ele, faça-o sentir que ele é capaz de melhorar, e MUITO IMPORTANTE, demonstre-lhe que estará ao seu lado para o ajudar a atingir esses objetivos.

Tenha sempre uma “ponte do dialogo” aberta com o seu filho, não só sobre a matéria escolar, mas também sobre o seu dia-a-dia, e os problemas/duvidas que lhe possam aparecer. Disponha diariamente de algum tempo para dialogar com o seu filho, demonstrando-lhe assim que se preocupa com ele e que caso ele necessite poderá sempre contar consigo e a sua compreensão.

A Dislexia e o sucesso

A Noticia de que um filho tem dislexia é quase sempre recebida com angustia. É uma reação natural, mas o alarme não se justifica. Porque a dislexia, apesar de se manifestar em dificuldades na aprendizagem, é na verdade um talento único, um dom que, uma vez dominado, , permite atingir extraordinários patamares de realização académica e profissional.

Temos os exemplos de Albert Einstein, que se destacou na ciência, Leonardo da Vinci nas artes, Winston Churchill na politica, Jonh Lennon na musica, Henry Ford nos negócios, Thomas Edison um grande inventor, todos eles deslexicos.

"Quando leio, somente escuto o que estou lendo e sou incapaz de lembrar da imagem visual da palavra escrita." (Albert Einstein)

"Fui totalmente desestimulado nos meus dias de escola. E nada é mais desencorajador do que ser marginalizados na sala de aula, o que nos leva  a sentirmo-nos inferiores na nossa origem humana." (Winston Churchils) 

" A mais satisfatória forma de arrebatamento é pensar, pensar e pensar..." (Thomas Edison)


Quais são os direitos de um aluno disléxico perante a lei?

Todas as crianças têm o direito fundamental á educação. O Decreto-Lei n.º 3/2008 vem enquadrar as respostas educativas a desenvolver no âmbito da adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos com limitações significativas ao nível da atividade e participação, num ou vários domínios da vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais de permanente e das quais resultam dificuldades continuadas ao nível da comunicação, da aprendizagem, da mobilidade, da autonomia, do relacionamento interpessoal e da participação social.












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