sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Pego do Passado

Pego, a Aldeia das Casas Baixas, é uma terra já com muita história sendo uma das mais antigas e importantes terras deste concelho já havendo referencia a “…uma povoação com o nome de Pego..., nos surge supra referida num documento de 1332, portanto no século XIV.”, ou seja o Pego como povoação já existe à 700 anos.

O Pego e os pegachos com o seu falar típico, o seu estar e ser pessoal típico desta terra era em tempos uma “…comunidade fechada a estranhos, mesmo temida do exterior.” e que já em “…. Em 1515, aquando da publicação do “Livro de Posturas da Vila de Abrantes”, já os “lavradores e criadores” do Pego, entre outros, obrigaram a uma correcção quanto ao “andaymo das eguoas e asnas” em virtude de dizerem “ que nom era asy em custume antiguo”.?


Sabia que desde a pré-história que ficaram vestígios de ocupação humana no Pego e que mesmo os romanos deixaram cá a sua marca?
Com o passar do tempo a Aldeia do Pego foi sofrendo alterações e evoluiu em termos populacionais sendo uma das principais comunidades da região de Abrantes.

Existem ainda outros vestígios e locais de um Pego mais recente, que com passar do tempo, também foram sendo abandonados.
Fui em busca de alguns desses locais, tendo efectuado uma pequena foto reportagem, que vos passo a mostrar.
Açude
Nora/Poço de grandes dimensões
Antigo moinho de vento
"...e o cèu é o limite!"
Nora antiga de tracção animal
Antigo tanque ou Eira?
Edifício junto ao tejo com algumas dimensões...
...onde funcionariam fornos de cal!
Ruínas do moinho de vento mais famoso do pego, sendo que a rua tem o seu nome!
Nestes tempos muitos pegachos tinham que partir para fora em busca de sustento. Foram e ainda são exímios carvoeiros segundo o método tradicional dos fornos de terra, actividade a que se ligava o tirar a cortiça e o fazer lenha; partiam para as mondas do trigo e do arroz e para a apanha da azeitona e iam ceifar para o Alentejo.
 Forno de carvão tradicional

 A arte de tirar a cortiça
Trabalho arduo na monda.

A proxima foto foi tirada do local que os pegachos conhecem como Porto dos Pescadores.
Hoje em dia o Tejo tem este aspecto devido á albufeira criada pelo açude do Aquapolis de Abrantes.
Será que o Tejo, que antigamente banhava estas margens, seria como este?
 
No passado o transporte de mercadorias era feito essencialmente por barco, sendo que o porto de Abrantes, logo aqui ao lado, a par com o porto de Santarém e Constância, um dos principais da região.


 Porto de Abrantes
Barco "Varino"
Os Barcos “Varinos”, eram uma embarcação de carga muito típica do Tejo, Tal como a fragata também era de casco bojudo, mas mais elegante e sem quilha. Aparelhava uma ou duas velas de estai substituindo o latino triangular por um quadrangular num mastro inclinado para a ré. Possuía duas cobertas com anteparas, porão com paneiros e ainda bordas falsas para um melhor acondicionamento da carga. Em tempos transportavam de Lisboa, Tejo a cima, principalmente o sal, peixe, panos, alem de outros produtos de uso menos frequente. Para a capital transportavam madeiras, azeite vinho, coiros, mel, cera, ferro e mesmo peixe do rio.
barco/canoa de pesca

Seria muito fácil, naquela época, apreciar o desfilar deste tipo de barcos, entre outros, das margens do Tejo.
Outra das características do pego eram as fachadas da suas casa bem como suas chaminés e respectivas enormes lareiras. Quem não se lembra de ter passado bons momentos, bem quentinhos junto a estas lareiras? No entanto já são coisas do passado pois a pratica da sua construção, á muito que foi abandonada. Restam as Saudades!
Casa tradicional do Pego
 
Outro ponto de interesse no Pego é a existencia de um Marco Geodésico (que eu conheça), situado perto do Casal D. António.
Um marco ou vértice geodésico (popularmente chamado "talefe" em Portugal) é um sinal que indica uma posição cartográfica exacta e que forma parte de uma rede de triângulos com outros vértices geodésicos. São escolhidos sítios altos e isolados com linha de visão para outros vértices.
O centro geodésico de Portugal continental encontra-se, não muito longe do Pego (35km), em Vila de Rei. Este ponto, assinalado por um marco geodésico, encontra-se no cume da serra da Milriça e tem o nome de Picoto da Milriça. Uma visita a este local impõem-se não só pelo simbolismo do local como pela vista que se alcança podendo vislumbrar-se em dias limpos Serra da Estrela.


Centro geodésico de Portugal continental
 
LÊ MAIS SOBRE A HISTÓRIA DO PEGO NA NOSSA PAGINA “ALDEIA DO PEGO”!

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