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O que é a Dislexia?
“ A dislexia é uma dificuldade específica e durável da aprendizagem da leitura e da escrita, em que não houve a aquisição do seu automatismo, e experimentada por crianças normalmente inteligentes, normalmente escolarizadas e indemes de perturbações sensoriais.”
Debrey- Ritzen e Mélékian
Causas e Origem da Dislexia
- Disfunções cerebrais;
- Factores genéticos;
- Perturbações afectivas;
- Perturbações instrumentais;
- Perturbações durante o parto;
- Encefalopatias;
- Perturbações nutricionais e ambientais;
- Perturbações nos neurónios.
Tipos de Dislexia
Auditiva – dificuldades na discriminação de sons de letras e palavras compostas e na lembrança de padrões de sons, sequências, instruções e histórias.
Visual – dificuldade tanto em seguir e reter sequências visuais como na análise e integração visual de quebra- cabeças.
Manifestações nos trabalhos escolares
- Leitura
- Escrita- Composição
- Escrita – Traçados Grafo-motores
- Escrita – ao nível da Sílaba e Palavra
- Matemática
- Gramática
LEITURA
- Sem entoação adequada;
- Palavras mal agrupadas;
- Cortes, hesitações, pontuações não respeitadas;
- Reconto e/ou resumo dificultados.
Escrita - Composição
- Frases mal estruturadas e inacabadas;
- Tempos verbais mal utilizados;
- Confusão das homófonas;
- Erros de pontuação;
- Articulação das ideias incorrecta;
Escrita – Traçados Grafo-motore
- Movimentos parasitas;
- Traçados angulosos irregulares;
- Não respeita linhas;
- Caracteres indecifráveis.
Escrita – Ao nível da sílaba e palavra
- Inversão da ordem das letras;
- Inversão de sílabas;
- Omissão, repetição, adição ou substituição de letras;
Exemplos: - pia / pai;
- iam / mais;
- cabalhau / bacalhau;
- ella / ela;
- felores / flores;
- mertado / mercado;
- derepente / de repente.
Matemática
- Inversão de algarismos
- Dificuldades na ordenação;
- Confusão de sinais e perda de elementos;
- Não retenção de noções;
- Incompreensão dos enunciados, das relações espaciais e de quantidade;
- Dificuldades nos cálculos elementares.
Gramática
- Uso incorrecto dos tempos verbais;
- Dificuldade de categorizar;
- Desrespeito das regras de concordância;
- Dificuldade na compreensão de noções temporais
Disortografia
- Erros na percepção visual e/ou auditiva;
- Falhas de atenção;
- Uma aprendizagem incorrecta da leitura e escrita.
Disgrafia
Erros mais frequentes:
- Mudam a forma;
- Têm dificuldade em pegar no lápis;
- Não respeitam as margens;
- Ultrapassam a linha para cima e para baixo;
- Aumentam e diminuem o tamanho das letras;
Discalculia
Dificuldade para usar números;
Dificuldade na realização de cálculos e operações.
Dispraxia
Dificuldade em equilibrar-se;
- Caminhar sobre uma linha recta
- Encestar
- Apertar os sapatos
Dismapia
- mapas
- tabelas
- escalas
Reeducação
Papel do professor de Apoio – Tem de ter formação específica para poder fazer a AVALIAÇÃO COMPREENSIVA e o PERFIL do aluno e saber como vai fazer a INTERVENÇÃO DIFERENCIADA (sistemática, estruturada, focalizada, precoce)
Papel dos pais também é essencial para a recuperação da criança, sendo necessário o seu empenho.
Curiosidades
Disléxicos Famosos:
- Agatha Christie
- Cher
- Leonardo DaVinci
- Tom Cruise
- Albert Einstein
- Pablo Picasso
(Fonte: Internet)
COMO AJUDAR O SEU FILHO DISLÉXICO A OBTER SUCESSO NA ESCOLA
"PEQUENOS
PASSOS… PARA OBTER BONS
RESULTADOS!"
RESULTADOS!"
Já passaram cerca de 8
anos desde que foi diagnosticado que a minha filha, agora com 15 anos de idade,
tem DISLEXIA. A verdade é que os primeiros tempos foram angustiantes face ao
desconhecimento total do que era a DISLEXIA.
Desde o primeiro
momento, temos vindo a pesquisar tudo o que se possa aprender e compreender sobre
a DISLEXIA. A internet tem sido uma ferramenta fundamental para atingir este objectivo,
mas também temos recorrido à leitura de alguns livros, como o livro “O Dom da
Dislexia” de Ronald D. Davis, bem como a ajuda de profissionais especializadas.
Ao fim destes 8 anos a
Dislexia já não é uma desconhecida, nem agonia o nosso seio familiar. Este
esforço de compreensão da dislexia e a aplicação de alguns métodos, traduz-se
no aproveitamento escolar da nossa filha, que chegou ao seu 3º ano de vida
escolar quase sem saber ler e escrever, para estar agora a iniciar o 10º Ano de
escolaridade com aproveitamento escolar, superando deste modo, toda as
nossas melhores expectativas.
Deste modo partilho aqui
alguns métodos de abordagem, para contornar as dificuldades na aprendizagem, por nós aplicados, para ultrapassar
o problema da DISLEXIA.
O
que é a dislexia?
"A
dislexia é uma dificuldade especifica e durável da aprendizagem da
leitura e da escrita, em que não houve a aquisição do seu automatismo, e
experimentada por crianças normalmente inteligentes, normalmente
escolarizadas e indemnes de perturbações sensoriais."
(Debrey - Ritzen e Mélékian)
A intuição e o Pensamento
Multidimensional !
Na
dislexia duas pessoas nunca apresentam as mesmas dificuldades. A dislexia é como
um dom que vai evoluindo com a pessoa, e essa evolução tem de ser criada pelo disléxico.
Com o passar do tempo muda e com muita frequência não se desenvolve totalmente
até o disléxico ter deixado a escola.
Para
se perceber melhor, o processo de pensamento do disléxico é um modo não-verbal
de pensar em imagens, que ocorre, segundo alguns estudos, à velocidade de
trinta e duas imagens por segundo (imagens individuais conceptualizadas),
enquanto um não disléxico, um pensador verbal pode ter entre dois a cinco
pensamentos (palavras individuais conceptualizadas). Matematicamente isto dá
como resultado que o disléxico tem um número de pensamentos de seis a dez vezes
maior.
O
único inconveniente de pensar em imagens é que a pessoa disléxica não está consciente
das imagens individuais enquanto elas vão ocorrendo, por que tudo acontece
muito depressa. O nosso cérebro precisa de um tempo necessário para que algo
seja registado na consciência do individuo (Cognição). Um disléxico ao pensar à
velocidade de trinta e duas imagens por segundo, cai na categoria chamada “subliminar”.
Se um estimulo não estiver pelo menos presente cerca de trinta e seis imagens
por segundo nós não conseguimos capta-lo, porque passa demasiado depressa para
que o nosso cérebro possa capta-lo.
Deste
modo o disléxico consegue por vezes saber a resposta a um problema, como que
por intuição, mas não consegue ter total consciência de como chegou a essa
resposta. É um processo que é chamado “Devaneio”.
Muitas
vezes, pais e professores são muito críticos com este processo; Devaneio; no
fundo porque eles próprios não o conseguem compreender. No entanto deviam
encoraja-lo.
Albert
Einstein, também ele disléxico, publicou
no princípio do seculo vinte, a Teoria Geral da Relatividade, teoria esta que
surgiu-lhe durante um “devaneio”, no qual segundo o mesmo, ele viajava ao lado
de um feixe de luz. Para Einstein o conceito era simples, para uma pessoa comum
era quase incompreensível, o levou e ainda leva à elaboração de uma enorme
quantidade de livros que tentam explicá-la.
Também
Leonardo da Vinci, concebeu um submarino trezentos anos antes da invenção da
bomba de água moderna; teve a visão de um helicóptero, quatrocentos anos antes
de existir um motor que o pudesse fazer voar.
A
desorientação acrescenta dimensão ao processo do pensamento. O pensamento
torna-se assim multidimensional e utiliza todos os sentidos.
Quando
ocorre a desorientação o cérebro deixa de ver aquilo que os olhos estão a ver,
os ouvidos a ouvir, para ver e ouvir aquilo que a pessoa está a pensar. Ou seja
um dos aspetos do pensamento multidimensional é a capacidade do pensador viver
os pensamentos como a realidade.
Se
“a necessidade é a mãe da criatividade”, então o pensamento multidimensional
deve ser o seu pai. Este conceito ajuda-nos a entender como é que Albert
Einstein chegou a elaboradas teorias bem como Leonardo da Vinci, a complexas
maquinas que só muitos anos depois é que puderam ser, tecnologicamente construídas.
(in: O dom da dislexia
/ Ronald D. Davis)
O Papel dos Pais
O
papel activo dos Pais é essencial para que o seu filho disléxico consiga ter
sucesso no seu percurso escolar.
Só
com o empenho total dos Pais é que este processo terá o seu êxito.
“Ninguém conhece melhor o
seu filho como os seus pais”. É a partir deste princípio
que se irá dar início ao processo na ajuda do seu filho disléxico.
Os
pais devem fazer um acompanhamento contínuo do percurso escolar do seu filho,
não apenas no final de cada período lectivo, mas sim durante todo o ano
escolar.
No
início do ano lectivo contacte com o Diretor de Turma e/ou o professor de ensino
especial, partilhe com eles todo o historial do seu filho, as suas
dificuldades, os seus gostos, a sua atitude em relação á escola e sobretudo
mostre ao professor o seu forte empenho, para que o seu filho tenha um bom
aproveitamento escolar. Deste modo irá mostrar aos professores que quer e que está
a participar. Se possível deixe o seu contacto (Ex: Email, telefone) e reafirme
a sua total disponibilidade no acompanhamento na educação do seu filho.
Na
relação com o seu filho não faça da DISLEXIA um tema “Tabu”!
Partilhe o seu conhecimento com o seu filho, faça-o sentir e compreender que
apesar da Dislexia ser um problema de inicio, poderá ser com o tempo, um talento único, um dom que, uma vez dominado, permite atingir extraordinários patamares de realização académica e profissional.
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Sérgio Vicente / Toziblog |
O Papel
dos Professores
O
papel do professor na evolução positiva do seu filho disléxico é essencial. O
professor deverá saber acompanhar e compreender as dificuldades do aluno disléxico, para que deste modo possa adaptar melhor a matéria escolar às
características deste aluno.
É
neste ponto que a interação entre pais, professores e o aluno(a) é essencial. A
partilha de conhecimentos entre ambos, vai acelerar este processo, melhorando
deste modo todo o processo de aprendizagem.
Terá
que ter em consideração que o professor não terá apenas o seu filho com
dificuldades de aprendizagem. Haverá outros alunos com várias necessidades de
aprendizagem especiais.
O
diálogo continuo e compreensão entre o professor, pais e aluno é deste modo, extremamente
necessário.
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Sérgio Vicente / Toziblog |
Apoio
na organização do estudo
Ensinar do aluno disléxico uma metodologia/disciplina de ensino é um dos pontos de
partida para o seu sucesso.
Não adote pelo facilitismo.
Não imponha muitas regras rígidas de métodos de estudo. Este método deverá
ser encontrado através do diálogo com o aluno(a).
Deverá
ser ele(a) a apontar quais as suas reais dificuldades nas matérias
didacticas, dando-lhe ênfase a estratégias activas que permitirão à
gestão das suas próprias dificuldades, tornando-o mais
consciente nas áreas onde residem as suas dificuldades conseguindo deste
modo desenvolver capacidades de autocorreção.
A
partir deste ponto será mais fácil encontrar uma metodologia de estudo que irá
contribuir, não só para que ele(a) mantenha interesse pela escola, como
também será mais fácil pais e professores encontrarem soluções para colmatar
estas dificuldades.
Em
casa poderá usar a internet. Existem muitos “sites” de professores (entre
outros) que ensinam e ajudam nas matérias curriculares dadas. Este ao
identificar quais as suas dificuldades levará a que possa encontrar nestes “sites”
melhores metodologias para que lhe possa explicar e colmatar essas
dificuldades, de um modo que ele as melhor compreenda.
Deste
modo dará alguma segurança e empenho ao seu filho no alcance do seu sucesso
escolar.
Apoio
Especializado
Na escola na maioria dos
casos, o aluno(a) disléxico beneficiará do apoio de um professor de Educação
especial. Fora do ambiente escolar, existem também profissionais especializados
(Ex. Terapeuta da Fala, psicólogos.) nos problemas decorrentes da dislexia que
poderão dar uma boa ajuda na evolução da criança, no entanto, devido aos custos
financeiros que estes possam comportar, terá que avaliar a disponibilidade
financeira da família para o efeito.
Autonomia
A
criança/jovem deverá ser incentivada a cultivar a sua autonomia.
Deverá
dar-lhe oportunidade de espaço para que esta crie essa autonomia nos
diversos aspetos do seu crescimento.
Para
uma criança/jovem com dislexia, que devido ao seu problema por vezes cultiva uma baixa
autoestima, esta conquista de autonomia gradual irá, com o passar do tempo,
combater esta mesma baixa autoestima.
Os
pais tem que ter, sobretudo, confiança nos seus filhos e acreditar que
eles são capazes, dando-lhes oportunidades para crescerem e tornarem-se o
mais independentes possíveis.
Lembre-se que uma sobre proteção destas
crianças ( e de todas as outras), frequentemente cria pessoas
inseguras e muito dependentes. quando sobre protegemos uma criança
estamos a torná-la mais vulnerável.
Controlo do Nível emocional
Deverá
ter
em conta que um(a) aluno(a) disléxico, para conseguir um bom desempenho
escolar terá que ser bastante disciplinada no estudo. Esta
“autodisciplina” e esforço adicional levará a que esteja sempre exposta a uma maior pressão para atingir os seus
objetivos.
E uma maior pressão originará um maior “stress” emocional, o que levará a mostrar-se por vezes mais agressiva e/ou angustiada.
E uma maior pressão originará um maior “stress” emocional, o que levará a mostrar-se por vezes mais agressiva e/ou angustiada.
Deste
modo cabe aos pais e professores estarem atentos a esses “picos de stress
emocional”, e através do dialogo com a criança e/ou a prática de outras
atividades extracurriculares (Ex: natação), possam ajudar a ultrapassar estes
estados emocionais, que caso não sejam colmatados/acompanhados iram influenciar
negativamente o desempenho escolar da criança.
Atitude
positiva
Tenha uma sempre uma atitude
para com o seu filho.
Elogie sempre os seus
sucessos.
Nos
insucessos converse com ele, faça-o sentir que ele é capaz de melhorar, e MUITO
IMPORTANTE, demonstre-lhe que estará ao seu lado para o ajudar a atingir
esses objetivos.
Tenha
sempre uma “ponte do dialogo” aberta com o seu filho, não só sobre a matéria
escolar, mas também sobre o seu dia-a-dia, e os problemas/duvidas que lhe
possam aparecer. Disponha diariamente de algum tempo para dialogar com o seu
filho, demonstrando-lhe assim que se preocupa com ele e que caso ele necessite
poderá sempre contar consigo e a sua compreensão.
A
Dislexia e o sucesso
A
Noticia de que um filho tem dislexia é quase sempre recebida com
angustia. É uma reação natural, mas o alarme não se justifica. Porque a
dislexia, apesar de se manifestar em dificuldades na aprendizagem, é na
verdade um talento único, um dom que, uma vez dominado, , permite
atingir extraordinários patamares de realização académica e
profissional.
Temos os exemplos de Albert Einstein, que se destacou na ciência, Leonardo da Vinci nas artes, Winston Churchill na politica, Jonh Lennon na musica, Henry Ford nos negócios, Thomas Edison um grande inventor, todos eles deslexicos.
"Quando leio, somente escuto o que estou lendo e sou incapaz de lembrar da imagem visual da palavra escrita." (Albert Einstein)
"Fui
totalmente desestimulado nos meus dias de escola. E nada é mais
desencorajador do que ser marginalizados na sala de aula, o que nos leva
a sentirmo-nos inferiores na nossa origem humana." (Winston
Churchils)
" A mais satisfatória forma de arrebatamento é pensar, pensar e pensar..." (Thomas Edison)
Quais são os direitos de um aluno
disléxico perante a lei?
Todas as crianças têm
o direito fundamental á educação. O Decreto-Lei n.º 3/2008 vem enquadrar as
respostas educativas a desenvolver no âmbito da adequação do processo educativo
às necessidades educativas especiais dos alunos com limitações significativas
ao nível da atividade e participação, num ou vários domínios da vida,
decorrentes de alterações funcionais e estruturais de permanente e das quais
resultam dificuldades continuadas ao nível da comunicação, da aprendizagem, da
mobilidade, da autonomia, do relacionamento interpessoal e da participação
social.